Arquivo Público — Poker como Método
Sou Dérick Costa, 35 anos, natural de Florianópolis (SC). Atualmente moro em Videira, no meio-oeste catarinense, a cerca de 400 quilômetros da capital, para onde vim a trabalho.
Em Florianópolis, fui aluno de Letras – Português na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Precisei trancar o curso por quatro semestres, período correspondente ao tempo em que permanecerei no interior do estado. Retornarei à UFSC assim que possível, com a intenção clara de seguir carreira acadêmica em Letras — área pela qual me apaixonei desde o primeiro semestre.
Hoje atuo como consultor empresarial, com foco em médias empresas, utilizando metodologias clássicas, inovadoras ou a combinação consciente de ambas, sempre de acordo com a necessidade real dos meus clientes.
Minha relação com o poker
Dos meus 35 anos de vida, jogo poker desde os 13. Quase dois terços da minha existência estiveram, de alguma forma, em contato com o jogo. Em alguns períodos de maneira intensa, em outros de forma mais distante, mas ele sempre permeou minha forma de pensar o mundo.
O mundo não é feito apenas de flores. O contato precoce com uma atividade de alto risco e elevada periculosidade trouxe grandes prejuízos à minha vida. Serei honesto do início ao fim deste manifesto: houve muito mais danos do que benefícios — ainda que alguns poucos benefícios existam.
Fumante e dependente químico desde os 15 anos, alcoólatra desde um ponto indefinido da minha história, posso afirmar com segurança que noites em claro ao redor de mesas de baralho me custaram muito caro. Desta vez, porém, estou disposto a pagar o preço conscientemente, sem deixar dívidas emocionais, financeiras ou existenciais para depois.
O objetivo deste projeto
Este projeto não nasce como promessa de enriquecimento, nem como espetáculo. Jogarei poker como um hobby estruturado, realizando lives e deixando-as gravadas no YouTube, com o objetivo de demonstrar a realidade concreta dos ganhos possíveis no poker.
A proposta é desmontar o glamour artificial vendido por influenciadores e cursos milagrosos, que muitas vezes servem mais para inflar egos e bolsos alheios do que para retratar a verdade.
Sem pressa de ganhar dinheiro, sem pressa de provar qualquer coisa a quem quer que seja, realizarei de duas a três lives semanais, com duração entre 30 e 45 minutos. Serão apresentados gráficos, taxas de ganho, períodos de perda, bônus, rakeback e, principalmente, os aspectos emocionais envolvidos — que para um jogador de poker costumam ter um custo financeiro elevado.
Jogarei sempre com 200 buy-ins depositados na plataforma, seguindo critérios claros de gestão de banca.
Este não é um projeto para criar polêmica ou comprar brigas. É um arquivo público, maduro e transparente sobre o que realmente é possível ganhar no poker — e sobre o quão distante ele está de ser uma fonte de renda segura para quem não possui capital relevante investido.
Minha história com o poker
Minha história com o poker começou em 2003, um ano após Chris Moneymaker vencer o Main Event da WSOP após se classificar por um torneio online de US$ 20.
Na época, eu e meus amigos jogávamos Magic: The Gathering. Não demorou para que surgisse a ideia de jogar poker. Começamos de forma quase simbólica — usando grãos de arroz e feijão como fichas, na cozinha de um amigo. Com o tempo, o jogo foi ficando sério.
Entre 2003 e 2005 joguei poucas vezes, mas o suficiente para acumular perdas consideráveis. Eu era um péssimo jogador. Em 2005 comecei a trabalhar em uma lan house, onde era comum assistirmos a transmissões de poker na ESPN.
Em 2006, participei do primeiro torneio minimamente organizado em Florianópolis, promovido por estudantes da engenharia da UFSC. Ganhei o torneio e passei a acreditar que jogava muito bem. Metade do prêmio gastei com comida; a outra metade — provavelmente mais — voltou para o jogo.
De 2006 a 2011, minha vida foi bastante problemática, e não entrarei em detalhes aqui.
Em 2011, comecei a trabalhar como dealer. Desenvolvi um olhar extremamente observador e passava a testar hipóteses mentais quase aleatórias — quem sentaria em determinada mesa, quantas recompras alguém faria. Muitas dessas observações se confirmavam.
Em 2012 percebi que conseguia ganhar com facilidade dos frequentadores dos cash games da região e passei a jogar para donos de clubes. Em 2013, recebi 30% da receita bruta de um clube localizado em um hotel de luxo em Florianópolis.
Essa fase durou cerca de três anos e foi interrompida por questões sérias de saúde mental.
Em seguida, trabalhei na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), onde permaneci por quatro anos. Foi um aprendizado corporativo profundo, impossível de ser obtido se eu tivesse permanecido exclusivamente no poker.
Em determinado momento, voltei a jogar online de forma escondida da família e tive um período de ganhos consideráveis, impulsionados por sorte. Tomei então uma das piores decisões da minha vida: pedi desligamento da FIESC para jogar poker em aplicativos.
Atuei em plataformas como PPPoker, onde cheguei a ter clube, liga e time. Ganhei dinheiro, mas dentro de um ecossistema extremamente inseguro, baseado em crédito e fiado — algo inexistente em ambientes regulados.
Após um episódio de burnout, expliquei-me com meu sócio, transferi integralmente os valores que estavam comigo — cerca de 400 mil reais — e deixei esse mundo. Foi então que decidi retomar os estudos e me tornei aluno de Letras.
Por que o poker não é glamour
Poker não é o luxo vendido na televisão ou no Instagram. As margens de lucro para quem não possui grande banca ou patrimônio investido são mínimas, tanto no cash game quanto em torneios.
O conceito de hobby lucrativo
Poker pode ser um hobby lucrativo — assim como colecionismo, produção artesanal ou outras atividades onde o excedente pode ser comercializado. Mas isso está muito distante de representar segurança financeira.
Disciplina
A falta de disciplina foi o grande vilão da minha trajetória no poker. Hoje a possuo. Para ganhar dinheiro jogando poker, seja como hobby ou profissão, é necessária disciplina antes, durante e depois de jogar. Não há atalho. Sem isso, o custo é alto.
BSC aplicado ao poker
O diferencial deste site será a aplicação do Balanced Scorecard (BSC) — uma ferramenta clássica de consultoria empresarial — à minha vida pessoal e ao poker enquanto hobby estruturado.
Começarei do nível mais baixo possível. O objetivo é medir, acompanhar, refletir e ajustar. Vamos ver onde isso vai dar.
Como acompanhar este conteúdo
Este site é atualizado continuamente.
Os indicadores são revisados mensalmente.
O diário é escrito semanalmente.
As lives ocorrem sem promessa de resultado.